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9/7/2007
Infância: a educação entre a praça e o computador

Natacha Moraes

Definitivamente, a infância mudou. Mudaram as brincadeiras, os valores e a forma dos pequenos agirem no mundo. A verdade é que as informações estão mais acessíveis e a criançada mais ligada na rotina adulta. Mas, afinal, do que elas gostam? Como aprendem? Como criam o afeto? Como brincam?

A grande atração atual da infância é a tecnologia: jogos no computador, orkut, brinquedos, que falam e pulam, desenhos animados de aventuras e ilusões. Agora, pensemos, até que ponto essa nova infância prejudica o desenvolvimento afetivo, psicomotor, cognitivo e social de uma criança?

As crianças não vão deixar de desenvolver suas habilidades, mas, é claro, que não podemos negar que também é muito saudável estarem na rua jogando futebol, subindo em árvore e socializando com mais crianças, do que estarem à frente de um computador durante o dia inteiro. Mas, ao mesmo tempo, o uso do computador traz diversos benefícios: as informações chegam de forma mais acessível, desenvolve-se a motricidade fina, o raciocínio lógico, a concentração entre outros.

Excluí-las deste mundo tecnológico é um erro, pois ele existe, e não só existe como move a comunicação humana. O segredo para pais e professores é encontrar o equilíbrio. Se seu filho gosta de determinado desenho, tire um dia para assistir com ele, demonstre interesse, converse, nomeie o que acha correto e o que não acha. Se você, professor, percebe que na sua turma há uma mobilização grande em torno de blogs, do orkut, entre outras formas de comunicação e relacionamento via internet, se adeque a eles. Crie, por exemplo, um blog da sua turma ou uma comunidade no orkut sobre a sua disciplina. Faça fóruns, peça opiniões. Pais, levem seus filhos aos parques e ensine as brincadeiras da sua infância. No início certamente haverá resistência, mas ela logo passa com uma boa partida de futebol, com uma nova brincadeira ou um picolé. Convide os amiguinhos do seu filho, façam um piquinique.

Como vocês podem ver, muito depende da estimulação externa, de pessoas que são referências de afeto. Ok. De qualquer jeito seu filho (a) não quer sair da frente do computador. A palavra chave nessas horas é LIMITE. A solução é colocar regras, disciplinar. Dê um limite exato para estar no computador. Depois disso, leve seu filho (a) em uma livraria, compre um livro ou uma   revista de seu interesse e sentem todos juntos (eu digo: todos, irmãos, cachorro, mãe, vó, todo mundo que more na casa) e façam uma sessão de leitura, troquem idéias, compartilhem. Reunam-se todos para jogar Banco Imobiliário. Quem ganhar terá uma surpresa no final. Mude a rotina. Professores, levem para a sala de aula assuntos que norteiam a "nossa" nova infância, faça brincadeiras, gincanas.

Todos os responsáveis pela educação devem usar de sua criatividade e principalmente de disponibilidade. Sabemos a importância de se criar vínculos, dos exemplos e da forma como os valores são transmitidos. Precisa haver investimento. Tempo. Idéias. Aposte em animais de estimação, eles ensinam o amor, o companheirismo, a responsabilidade e estimulam o cuidado e a compaixão. Criem novas situações. Conversem sempre. Não omitam, apenas encontrem a forma adequada de explicar. Não sejam rígidos demais, mas também não amoleçam demais.

O conselho é: busquem, pais e professores, o seu equilíbrio interior, para que depois possam passar ele para seus filhos e alunos.

Acredite que tudo que há aposta e investimento com amor, traz resultados para a vida inteira desses pequenos que estão recém aprendendo a viver.

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Natacha Moraes - natachapmoraes@gmail.com
Psicopedagoga clínica e institucional em Salvador, na Bahia.





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