Perfil
Marcos Wettreich30/10/2006
Um visionário a serviço do Terceiro Setor

Durante toda a carreira como empresário, a preocupação social sempre existiu para Marcos Wettreich. Considerado um gênio da Internet brasileira, o carioca de 42 anos é responsável pela criação de diversas empresas ligadas à área de tecnologia, como o Ibest e a revista Internet World. Foi usando o comprovado faro para bons negócios e grandes idéias que, em 2003, lançou o AjudaBrasil, um portal sem fins lucrativos que aproxima ONGs de potenciais doadores.

Atuando como presidente executivo, Marcos ainda conta com dois parceiros na vice-presidência – Matinas Suzuki, diretor geral da Rede Bom Dia, e Rubem César Fernandes, presidente do Viva Rio. Para dar visibilidade ao site, que conta com mais de 2 mil entidades cadastradas, fazem parte do conselho personalidades das mais diversas áreas, como José Roberto Marinho, Luciano Huck, Malu Mader, Washington Olivetto e Zuenir Ventura. “Queria realizar alguma coisa na área social, mas não queria fazer apenas por fazer. Pensei em criar uma ONG, mas percebi que seria apenas mais uma num universo enorme. Então, tive a idéia de criar uma ferramenta justamente para ajudar esse número imenso de instituições que já existem”, diz.

Desde a fundação, o AjudaBrasil já foi o responsável por intermediar a doação de quase R$ 80 mil e 1,2 mil bens para instituições de diversos tipos. O projeto conta com o apoio de importantes empresas, entre elas Rede Globo, Grupo Abril, Terra, Uol, MSN, Ig, Ibest e Brasil Telecom.

O engenheiro com pós-graduação em marketing

Quem não conhece a vida do empresário, mal pode imaginar que o bem-sucedido homem de negócios é, na verdade, engenheiro eletrônico, formado pela PUC-RJ. Aprendeu marketing na marra, com 22 anos, quando teve de assumir o setor na empresa que fundou com amigos, a Saga – uma cooperativa de desenvolvimento de sistemas. Somente tempo depois, com 25, foi fazer o curso de pós-graduação em Marketing na mesma universidade. “Neste momento, percebi que esse era o meu verdadeiro talento. Apesar disso, credito o desenvolvimento do meu raciocínio lógico e capacidade de enfrentar adversidades ao curso de engenharia”, reconhece.

A década de 90 e o início da Internet marcou a ascensão do jovem empresário. Marcos Wettreich apostou todas as fichas no crescimento do novo meio de comunicação, numa época em que, confessa, “todos me criticavam e diziam que a Rede não tinha futuro e era algo estritamente acadêmico”. Deixou a cooperativa de amigos e fundou, em 1990, a Mantel, empresa de eventos de tecnologia responsável pelo primeiro congresso sobre Internet no Brasil.

Nos anos seguintes, criou a Mlab, empresa de desenvolvimento de tecnologias, e a Revista Internet World para ser um instrumento de marketing a serviço da empresa. A revista deu certo, tornando-se a primeira publicação de massa sobre Internet no Brasil, atingindo a marca de 550 mil leitores por mês em 1997. Como estratégia para chamar a atenção para as melhores iniciativas na web nacional, Marcos lançou um prêmio, mais tarde elevado à condição de empresa, o Ibest.

Em 2001, vendeu a Mlab por R$ 36 milhões. O Ibest foi arrematado pela Brasil Telecom, em 2003, por R$ 72 milhões. No ano seguinte, a quantia adquirida serviu como base para o insaciável empresário pôr em prática o seu mais novo empreendimento, uma rede de “centros de bem estar” chamado Nirvana. São duas sedes, na Gávea e no Barra Shopping, que oferecem atividades físicas, terapias, massagens, serviços de spa, alimentação saudável e loja com produtos para saúde.

Os novos desafios

Descendente de austríacos com poloneses fugidos da Primeira Guerra Mundial, Marcos Wettreich nasceu, estudou e mora até hoje no Rio de Janeiro. Separado, pai de dois meninos gêmeos, destaca o basquete e a literatura como suas principais atividades nas horas livres. “Gosto muito de escrever, estou lançando um livro chamado Manual de Mães e Pais Separados, doando 100% dos royalties para instituições de caridade”, conta, empolgado com a primeira experiência como autor. Fã de comida japonesa, na música confessa ser difícil escolher uma única grande vertente preferida, embora seja fã de Rolling Stones, U2 e da banda inglesa Morcheeba.

O empresário mostra otimismo quanto ao futuro do país, acredita que o momento é muito bom. “Claro que é difícil dizer que estamos satisfeitos, mas vejo um grande potencial de desenvolvimento em muitos setores, inclusive no social”, afirma. Porém, defende uma maior profissionalização dos gestores que atuam na área. “As pessoas que atuam no Terceiro Setor estão despreparadas, parecem não se dar conta que as instituições precisam ser geridas exatamente como uma empresa”, aponta.

Marcos Wettreich ainda não está satisfeito. “Profissionalmente me sinto realizado, mas pessoalmente, não. Ainda tenho muitas coisas para fazer”. O sucesso empresarial parece ter dado confiança o suficiente para que o empresário se dedicasse ainda mais às causas sociais. “Gosto de realizações. Quero me sentir bem, fazer o bem para as pessoas que estão à minha volta e, quem sabe, para os que estão longe”, sentencia. Alguém dúvida?       

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