Perfil
Jair Luiz Kievel17/11/2006
Teólogo e administrador comanda RSE da Azaléia

Ele trabalha numa das maiores empresas de calçados do Brasil, mas o negócio dele não são os calçados. Jair Luiz Kievel, 44 anos, orgulha-se de ter trabalhado a vida toda com Terceiro Setor e Responsabilidade Social. “Fui muito feliz em todas as oportunidades profissionais que tive e, agora, os desafios de lidar com um mercado globalizado e competitivo me atraem”, revela.

Atualmente, o teólogo e administrador de empresas ocupa, também, uma dupla função na Azaléia. É gerente de RSE e diretor do Instituto Nestor de Paula – braço da empresa que realiza investimento social privado. “Todo ano, abrimos edital para seleção de projetos focados na criança e adolescente, prioritariamente executados nas regiões onde as fábricas estão instaladas”, explica.

Em 2005, foram investidos R$ 510 mil; este ano, o aporte deve atingir a cifra de R$ 1,5 milhão em ações em 20 municípios do Rio Grande do Sul, Bahia e Sergipe. Para 2007, em alusão aos Jogos Pan-Americanos, o edital trará uma novidade, serão financiados projetos com a temática “inclusão através do esporte”. Dez iniciativas, de qualquer parte do país, receberão R$ 30 mil como incentivo.

Além dos apoios a projetos da comunidade, Kievel também é responsável pelas ações junto aos mais de 17 mil colaboradores da empresa, espalhados pelas unidades no Brasil (Rio Grande do Sul, Bahia e Sergipe) e no exterior, que produzem cerca de 160 mil pares de calçados por dia e podem ser encontrados nas prateleiras de mais de 15 mil pontos de venda em todo o mundo.

A experiência em projetos sociais

Jair Luiz Kievel é gaúcho, nasceu em Taquara, a 72km de Porto Alegre. Filho de luteranos, conta que a sua família era de origem humilde. “Todo mundo que mora na região, quando termina o primeiro grau, ou trabalha em alguma fábrica de calçados ou faz curso técnico; eu não queria nenhum dos dois”. Então, subiu a Serra e foi fazer o segundo grau em Ivoti, junto com um curso preparatório de Teologia. O interesse foi tanto que escolheu pela graduação na Escola Superior de Teologia de São Leopoldo. O segundo diploma veio logo em seguida: administração de empresas na Unisinos.

A primeira grande experiência na área social foi na coordenação de projetos da Agência de Cooperação Kindernothilfe – entidade alemã de desenvolvimento humano, com atuação no mundo inteiro. Kievel viajou por todo o país, conheceu os mais variados tipos de iniciativas para os mais diversos públicos. “Foi aí que descobri que o principal problema do Terceiro Setor era a gestão. Tínhamos verba para investir, porém, faltavam líderes, pessoas que fossem realmente capacitadas para gerir uma instituição e garantir a sua sustentabilidade”.

A aproximação com o setor privado veio com a experiência à frente do Semear – organização comunitária, de origem empresarial e sem fins lucrativos. “Este trabalho me permitiu ter contato com um grande número de executivos, o que foi fundamental para me habilitar a exercer o cargo atual na Azaléia”, reconhece. O conhecimento adquirido ao longo dos anos permite a Kievel apontar os principais problemas no Terceiro Setor. “Existe um ranço com o poder público, as instituições não vêem o Estado como um parceiro confiável; e, ao mesmo tempo, não sabem como se comunicar com as grandes empresas. Muitas também não prestam contas de forma transparente, perdendo credibilidade”, argumenta.

Gaúcho mesmo fora do Rio Grande do Sul

Para aliviar o estresse, gosta de caminhar e ler. “Como viajo muito, passo grande parte do tempo em contato com meus livros”. Kievel é fã, especialmente, de autores gaúchos como Luiz Antônio de Assis Brasil, Luis Fernando Verissimo e Lya Luft. Filme, só comédia. Seus pratos preferidos são os italianos, mas avisa, com bom humor: “Preciso que alguém prepare para mim, eu apenas lavo a louça”.

Pai de três filhos – dois do primeiro casamento e um do atual –, não nega as raízes. Escuta a rádio Liberdade, emissora de música tradicionalista, todas as manhãs ao ir para o trabalho. Sente falta do chimarrão nas viagens: “Infelizmente não tenho espaço na mala para levar a cuia comigo, mas não é difícil achar outro gaúcho, seja onde for, para dividir um mate”.

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