Perfil
Sérgio Mindlin27/11/2006
Telefônica aposta na educação

Aos 59 anos, Sérgio Mindlin se sente realizado profissionalmente. O empresário é diretor-presidente da Fundação Telefônica, membro fundador e do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos e compõe o Conselho Curador da Fundação Roberto Marinho. “Faço um trabalho significativo. Colaborar com um grupo empresarial tão grande oferece as ferramentas para que possa desempenhar o meu trabalho do melhor modo possível”, comemora.

A razão da satisfação de Sérgio pode ser medida através de números: são cerca de R$ 6 milhões por ano investidos em projetos sociais, divididos em quatro grandes programas voltados, principalmente, à educação infantil. Além do Brasil, a companhia contribui para o desenvolvimento local através de fundações na Espanha, Argentina, Chile, Peru, Venezuela, México e Marrocos. As diretrizes são semelhantes em todos os países, adaptadas à realidade de cada região.

Através de um portal na Internet, o EducaRede integra escolas de todo o país. O site possui cerca de 60 mil pessoas cadastradas, a maioria professores que buscam uma ferramenta de auxílio para desenvolver atividades extraclasse nas suas instituições de ensino. Além disso, o projeto atua de forma presencial na capacitação dos docentes.

Outra importante ação desenvolvida pela Fundação Telefônica é o Pró-menino, um programa que atua na promoção da defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. A operadora ainda mantém o Voluntário Telefônica, em apoio aos funcionários que desejam realizar ações sociais.

A experiência na iniciativa privada e Terceiro Setor

Sérgio Mindlin é paulistano, lembra com saudade da infância, quando morava com os pais, José e Guita, no Brooklin. “Naquela época, o bairro era muito afastado do centro da cidade. A Avenida Santo Amaro era uma estrada de terra, praticamente uma zona rural, havia matas por toda a parte”, conta.

C
ursou o ginásio no Mackenzie e o colegial no Dante Alighieri. Optou pelo curso de engenharia de produção na Escola Politécnica da USP, graduando-se em 1979. Fez mestrado de três anos no exterior em Psicologia Social. Quando voltou ao Brasil, ingressou na Metal Leve – empresa em que o pai era sócio – e exerceu diversos cargos até chegar à presidência executiva, em 1993.

A empresa foi vendida, em 1996, e Sérgio tornou-se diretor-presidente da Abrinq, entidade que já fazia parte desde 1992, como membro do Conselho Administrativo. O convite para assumir o cargo na Fundação Telefônica surgiu em fevereiro de 1999, quando o empresário foi procurado para participar do processo de implantação do braço social da multinacional de comunicações. “Acredito que tenham me escolhido graças à minha dupla experiência profissional, como gestor de empresa e do Terceiro Setor”, revela.

A crença na parceria entre os setores

“A grande transformação social só acontece com a parceria entre os três setores, um complementando o outro”, acredita. Para Mindlin, cabe ao Estado gerir a organização do ensino, impossível de ser feita por uma organização do Terceiro Setor. As ONGs devem focar o trabalho no desenvolvimento tecnológico e na solução de problemas específicos, sempre com as portas abertas para atuar em parcerias com o governo e com a iniciativa privada.

Ao comentar sobre a situação atual do país, acredita que a consolidação da democracia foi uma importante conquista da sociedade. Mas, a partir de agora, são necessários avanços no campo econômico, um melhor controle dos gastos públicos e uma melhoria na gestão previdenciária. “Não sou especialista, mas se não resolvermos estes problemas estruturais, iremos comprometer todo o resto”, prevê.

Fotografia para relaxar

Sérgio Mindlin confessa não ter muito tempo livre para curtir seu hobby preferido, a fotografia. “Sou daqueles que gosta de clicar pessoas, não paisagens, em especial, meus netos”. É autodidata, aprendeu as técnicas aos 13 anos com uma câmera Laika de mais de 50 anos, que ainda funciona. Chegou a ter um laboratório para revelação em casa, mas, hoje em dia, confessa que se rendeu às novas tecnologias digitais. “A praticidade oferecida em poder ver a imagem na hora, apagar, bater a foto de novo, me seduziu”, conta.

A outra grande paixão é a literatura. Destaca dois livros que leu recentemente chamados “Amanhã, na batalha, pensa em mim” e “Coração tão branco”, do escritor espanhol contemporâneo Javier Marías. No Cd Player do carro, escuta música clássica e MPB. “Gosto de todas as cantoras, entre Nara Leão e Maria Rita, passando por Elis Regina, tem muita coisa ótima”.

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