Perfil
Ana Lúcia Suzuki17/01/2007
Servindo como modelo

Quando criança, ela pensava em ser médica para ajudar pessoas. Acabou cursando Administração Pública e Marketing e, assim mesmo, não se desviou da vontade que alimentava desde a infância. Ana Lúcia Suzuki, 35 anos, é coordenadora de Responsabilidade Social da Basf, uma das dez empresas-modelo conforme o Guia de Boa Cidadania da Revista Exame. A multinacional, presente em 39 países de todos os continentes, coleciona prêmios nas mais diversas áreas graças a sua política de desenvolvimento sustentável. “Encaramos esses reconhecimentos como uma auditoria pública dos nossos investimentos, através deles sabemos que estamos no caminho certo”, afirma.

Fundada em 1865, na cidade de Ludwigshafen, na Alemanha, a Basf produz mais de 8 mil produtos nas áreas de agricultura, nutrição, químicos,
produtos de performance, plásticos, petróleo e gás. A primeira fábrica brasileira foi instalada em Guaratinguetá, em 1959. Anos depois, novos centros de produção foram construídos em São Bernardo do Campo, Mauá e São José dos Campos, em São Paulo, Camaçari, na Bahia, e Jaboatão, em Pernambuco.

O cuidado com o meio ambiente

A empresa possui diretrizes internacionais de atuação na área de Responsabilidade Social, com particularidades aplicadas em cada região. “As demandas são diferentes em cada parte do mundo, os núcleos têm liberdade para customizar as ações de acordo com as necessidades locais”, explica.

No Projeto Pet, são feitas parcerias com cooperativas para que 60 milhões de garrafas plásticas sejam reaproveitadas. A iniciativa gera renda para diversas famílias envolvidas no processo, economia de matéria prima para a empresa e ajuda a preservar o meio ambiente.

A constante busca pela ecoeficiência resultou na criação da Fundação Espaço ECO, em junho de 2005. O local, com cerca de 290 mil m², instalado na área do Complexo de Tintas e Vernizes, em São Bernardo do Campo, foi construído em parceria com a GTZ – agência de cooperação internacional do governo alemão – e apoio da Prefeitura, Senai e Sesi. No espaço, são feitas análises de ecoeficiência, ferramenta criada para comparar modos de produção, com finalidade de atingir o máximo de produtividade aliada à preocupação ambiental.

Sólida formação profissional

Ana Lúcia Suzuki nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo, pequena cidade de cerca de 40 mil habitantes do interior paulista. Os avós vieram do Japão, sem saber falar português, na década de 30. “Um lado da família foi trabalhar em fazendas de café, o outro, com um espírito empreendedor, abriu uma fábrica de beneficiamento de arroz”, conta.

Apesar de sonhar com a medicina quando criança, o que lhe fez cruzar os 315 km que separam o pacato município da capital, São Paulo, foi o curso de Administração Pública, na Fundação Getúlio Vargas, em 1989. Gostou tanto que logo em seguida matriculou-se na pós-graduação em Marketing, pela ESPM, e atualmente faz MBA de Gestão e Empreendedorismo Social, na FIA.

O primeiro emprego foi no Estadão, na área de Marketing. Há 10 anos na Basf, já passou por diversos setores. Iniciou no equipe de Serviços de Marketing, depois passou ao setor de Gerência de Produtos e prestou serviços de consultoria de planejamento, o que a aproximou de projetos ligados à sustentabilidade. “A empresa oferece muitas oportunidades em diferentes áreas, isso facilita o crescimento profissional”, celebra.

A prática no setor

Ana Lúcia lembra da surpresa que teve ao começar a trabalhar com projetos de Responsabilidade Social. “A recepção das pessoas foi fantástica, e isso foi muito importante. Não temos como querer incorporar esses princípios ao dia-a-dia da empresa sem a mobilização e engajamento dos funcionários”, conta. “A experiência mostra que é natural às pessoas ajudar quem precisa, nós apenas organizamos as ações”.

Como especialista no assunto, a executiva faz uma boa avaliação dos projetos sociais do Governo Federal. A expectativa para o desenvolvimento do país é otimista: “O Brasil é muito grande, há lugares que necessitam de medidas estruturais e outros, de ações assistencialistas“.

Praticante de yoga há 4 anos, valoriza muito as horas de folga. “Prezo o equilíbrio entre trabalho e lazer, pois o sucesso de um influi no de outro”, acredita. Está em contato com a natureza sempre que possível, é fã de esportes radicais como rafting e rapel.

Apesar de estar ocupada com textos acadêmicos do MBA em andamento, para relaxar, gosta de romances de ficção com fundo histórico. Como exemplo, revela o livro que está lendo, chamado “Neve”, a história de um poeta que viaja a uma pequena cidade turca. Os gostos musicais são muitos, desde forró até ópera. Aprecia artistas da MPB como Caetano Veloso e Vanessa da Mata.

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