Perfil
Cláudia Jeunon31/01/2007
Experiência a serviço da Firjan

Aos 42 anos, a carioca Cláudia Jeunon é chefe da Assessoria de Responsabilidade Social do Sistema Firjan – instituição que representa 103 sindicatos e 16 mil indústrias do estado do Rio de Janeiro. Carregando a experiência adquirida em grandes multinacionais, ela afirma haver uma grande confusão de conceitos e, para mudar essa situação, defende o cumprimento exato dos princípios básicos da Responsabilidade Social Empresarial para que as empresas atinjam resultados satisfatórios na área.

O Sistema Firjan – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – é composto por cinco instituições que atuam de forma integrada: CIRJ – Centro Industrial do Rio de Janeiro; SESI – Serviço Social da Indústria; SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial; e IEL – Instituto Euvaldo Lodi. Segundo a executiva, o princípio fundamental da entidade é “promover o desenvolvimento econômico com Responsabilidade Social”. Para tanto, foi produzido um código de ética interno, onde todos os setores e gêneros estão representados. Através de reuniões e workshops, um comitê de 23 pessoas analisou propostas e tratou da redação final do documento considerado um modelo de conduta.

A experiência profissional

Cláudia Jeunon é filha de mineiros. O pai foi o fundador da Datamec – empresa de sistemas e processamento de dados – um dos primeiros homens a trabalhar com informática no Brasil – e a mãe, dona-de-casa e professora.

Estudou no Colégio Santo Inácio, tradicional nas matérias exatas. Porém, os trabalhos em grupo despertaram seu interesse pela comunicação. Até que, em 1987, graduou-se em Relações Públicas pela Uerj. O primeiro emprego foi em uma agência de São Paulo, com sede no Rio de Janeiro, a SM Comunicação, como gerente de comunicação.

A partir daí, a carreira da jovem relações públicas decolou. Em 1988, ingressou na Fleischmann, como gerente de produtos. Trabalhou na Bausch & Lomb, em 1992. Foi gerente de comunicação da Jari Celulose, a partir de 1993. Em 1995, transferiu-se para a Ceras Johnson. Dois anos depois, estava na Gerência de Marketing do Jornal O Dia. “A experiência de trabalhar com um segmento popular foi muito interessante. Na época, lembro que conseguimos alcançar, mesmo não sendo a nossa prioridade, leitores da classe A”, recorda.

Colecionou outros importantes cargos. Foi Superintendente de Comunicação e Marketing da Fundação Roberto Marinho, onde fez parte da equipe que desenvolveu o Canal Futura, em 1999. No ano seguinte, dirigiu a Fundação da Companhia Siderúrgica Nacional, onde executou projetos voltados para a área educacional, para a geração de trabalho e renda. O último trabalho antes de ocupar o atual posto foi em 2003, na Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes, como diretora executiva.

Em 2005, a já experiente executiva foi convidada a assumir a chefia da Assessoria de Responsabilidade Social do Sistema Firjan.

O aprendizado em RSE

Os diversos cargos em grandes empresas e instituições, aliada à pesquisa acadêmica, deram o conhecimento necessário para que Cláudia Jeunon se tornasse uma especialista no setor. A executiva traça um paralelo sobre da história do marketing, onde reconhece a importância da sustentabilidade nas empresas a partir da década de 90. “Já vivemos um tempo em que apenas os métodos de produção eram importantes, como pensou Ford. Após, o cliente entrou em foco e novas estratégias foram promovidas. Hoje em dia, o que diferencia uma empresa de outra é a reputação”, aponta.

Segundo a carioca, o mais importante no mercado global moderno é “o que os outros falam de você”. E, para isso, é fundamental que as políticas de Responsabilidade Social sejam encaradas com seriedade e aplicadas de todas as formas dentro da empresa, e que não sejam apenas sinônimos de filantropia. “A RSE deve estar presente na relação com os funcionários, com o meio ambiente, com a comunidade e fornecedores”, defende.

As ações sociais com simples cunho publicitário, sem uma dedicação global às políticas de RSE, não se sustentam, segundo Jeunon. Para exemplificar a situação, ela usa um exemplo bem simples e direto: “Basta pensarmos o que será mais divulgado pela imprensa: uma ação assistencial a alguma entidade de Terceiro Setor ou a descoberta de uso de mão-de-obra escrava, por exemplo”, explica.

O gosto pela viagem em família

Casada, mãe de dois filhos adolescentes, um de seus passatempos preferidos é reunir a família e cozinhar. “Não gosto de seguir receitas, por isso prefiro preparar pratos salgados para ter a liberdade de criar”, conta. A outra paixão é viajar. Primeiro, levou a família para conhecer o nordeste brasileiro, passou pelo Maranhão, Alagoas e Bahia. Agora, recém voltou da Europa, onde visitou Londres e Paris.

Revela gostos particulares em literatura, é fã de textos de realismo fantástico e romances históricos. Em destaque, cita autores como Isabel Allende, Gabriel García Márquez e Rubem Fonseca. Agora está lendo “Defeito de Cor”, da jovem escritora Ana Maria Gonçalves. Na música, confessa ter um gosto bastante eclético. Gosta de MPB a bandas de rock pesado dos anos 80, como Deep Purple.

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