Depois de muitos anos dedicados ao mercado econômico e uma vida de luta por causas sociais e ambientais, Ana Paula Gumy chegou ao cargo de diretora executiva do Instituto HSBC Solidariedade. A preocupação com o futuro do planeta habilitou a paranaense de 36 anos a assumir a instituição que, somente no ano passado, apoiou 177 projetos com investimentos em torno de R$ 12 milhões.
O instituto atua de forma independente, com gestão própria, e tem como objetivo administrar o investimento social do Grupo. As metas são tratar as questões socioambientais com profissionalismo, visão de longo prazo e mobilização comunitária, para que os incentivos ultrapassem a barreira do mero assistencialismo.
Baseado nas diretrizes mundiais do banco, o HSBC Solidariedade tem a educação como foco de suas atividades, com 75% das ações nessa área. O restante das iniciativas é dividido entre meio ambiente, com 15%, e geração de renda, 10%. A sede brasileira do banco inglês possui liberdade para definir os projetos que serão executados, já que os recursos utilizados são exclusivamente nacionais.
Início da carreira
Natural de Curtiba, Ana Paula Gumy foi morar em São Paulo logo aos 6 meses de vida. Desde pequena, recorda de ter recebido uma sólida educação ambiental, além de participar, de maneira informal, de diversos movimentos estudantis. Aos 17 anos, retornou para a cidade natal para cursar a faculdade de Administração de Empresas com Habilitação em Comércio Exterior pelo Positivo.
A carreira coorporativa começou cedo, logo no primeiro ano de faculdade ela já atuava como estagiária do antigo Banco Bamerindus, atual HSBC. Passou por diversos cargos nas áreas Coorporativa, Marketing e Internacional. Teve a chance de acompanhar de perto as mudanças e desafios que os anos 90 trouxeram para a economia brasileira. “Num tempo em que pouco se falava em Responsabilidade Social, o banco realizou a campanha Gente que Faz, que fez muito sucesso na época”, lembra.
Ao mesmo tempo em que trilhava uma carreira de sucesso no mercado de trabalho, Gumy nunca deixou de estudar. No currículo, especialização em Marketing Empresarial pela UFPR; em Marketing Internacional pela Exportakademie Baden-Württemberg, na Alemanha; MBA em Finanças pelo IBMEC e curso de Administração de Instituições Financeiras e Banking pelo GVPEC – GV São Paulo.
O novo desafio
Depois de anos trabalhando com captação de recursos, um novo desafio surgiu para Gumy. Ela saiu do HSBC, no início de 2004, para ser coordenadora de gestão da Fundação O Boticário. “Foi difícil pelo lado financeiro, já que deixei de lado todos os benefícios que a empresa me dava para arriscar num novo ramo. Porém, aprendi muito com a nova função, as pessoas eram muito engajadas e fazíamos grandes debates todos os dias”, conta.
Em dezembro do mesmo ano, recebeu uma proposta para retornar ao banco, agora na função de coordenadora de Responsabilidade Social. Viajou para a matriz, em Londres, para conhecer o que era praticado de mais moderno e eficaz na área e adaptar para a realidade brasileira. “Hoje em dia, somos referência para eles”, reconhece, orgulhosa.
As horas livres
Mesmo nos finais de semana de folga, Gumy mantém uma rotina de visita a instituições sociais, para conversar com jovens sobre carreira profissional. No tempo que sobra, quando não está em viagens de negócios, ela dedica as horas livres para ir ao cinema, parques e restaurantes.
Os filmes preferidos são os com temáticas sociais, como “O Jardineiro Fiel”, “Babel” e “Tiros em Ruanda”. Mas, não nega, se é para se divertir, adora as grandes produções como “Homem-Aranha”, “O Senhor dos Anéis” e “Harry Potter”.
Um plano que tem para o futuro próximo é voltar a praticar equitação, uma antiga paixão. Para Gumy, o esporte ensina lições para a vida. “Eu sempre tive medo de cavalos, mas decidi superá-lo. Comecei a ter aulas junto com uma amiga e descobri o prazer de saltar com o animal, criar uma relação de respeito e conhecimento mútuo”, diz.
O chave para o sucesso da executiva é a dedicação. Com pequenos gestos, ela acredita que é possível tornar a realidade do planeta muito melhor para todos. “Sou ecoeficiente, se alguém vai na minha casa e coloca o lixo no lugar errado, já dou uma aula sobre reciclagem”, conta, sempre com muito bom-humor.